No penúltimo dia de votações em 2024, a Assembleia
Legislativa do Rio Grande do Sul começará a apreciar o pacote de final de ano
encaminhado pelo governador Eduardo Leite. Também nesta terça-feira (10), serão
votados os projetos que concedem reajustes a servidores dos poderes e
órgãos autônomos do Estado, com exceção do Executivo.
Com 37 matérias na ordem do dia, a primeira sessão
está marcada para começar às 10h e a segunda, às 14h15min. Sem grandes
polêmicas em discussão, a expectativa é vencer a pauta, que também inclui
alguns projetos de deputados, até o final da tarde.
O tema que tende a mobilizar maior atenção em plenário é o
reajuste de 5,35% a servidores do Judiciário, Ministério Público,
Defensoria Pública, Tribunal de Contas e da própria Assembleia. O acréscimo
valerá a partir de fevereiro de 2025 e não será aplicado à cúpula dos poderes
(juízes e promotores, por exemplo).
Funcionários do Executivo não estão incluídos e não têm
perspectivas de reajuste no momento. Na metade do ano, o governo concedeu
12,49%, mas apenas para os servidores da segurança pública e divididos em três
parcelas até 2026.
Dos 35 projetos do pacote enviado por Leite, 24 estão na
ordem do dia desta terça. São propostas como a prorrogação de contratos
emergenciais, a transferência de trechos rodoviários a municípios e ajustes
orçamentários.
Os projetos que renderão discussões mais profundas, como
a reformulação da agência reguladora estadual (Agergs) e a proibição
da instalação de tomadas em presídios, serão discutidos e votados no dia 17.
Ainda nesta terça devem ser apreciados projetos
apresentados por deputados, como o que institui um sistema de alerta
sonoro contra inundações no Estado, apresentado por Capitão Martim
(Republicanos), e o que cria um programa de incentivos para regularizar
dívidas tributárias, de Marcus Vinícius (PP).
A ordem de votação dos 37 projetos será definida às
9h30min, durante a reunião dos líderes de bancada. A previsão é de que o
primeiro bloco de projetos seja votado das 10h às 12h30min e, após intervalo
para almoço, as votações sejam retomadas por volta das 14h15 min.
O deputado Frederico Antunes (PP), líder do governo na
Assembleia, avalia que, apesar da extensão da pauta, a votação deve discorrer
sem sobressaltos.
— Vou propor que façamos um mix pela manhã, com alguns
projetos de parlamentares, doação de áreas e de rodovias aos municípios. E
depois retomamos à tarde até a hora em que for necessário — projeta Frederico.
Para Miguel Rossetto (PT), que lidera a maior bancada de
oposição ao Piratini, a única tensão aparente é a discussão sobre as
atribuições da Fazenda e da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) relacionada ao
projeto de Marcus Vinícius.
— Na grande maioria dos projetos, teremos posição favorável
- adianta Rossetto.
Se algum dos projetos não for apreciado, deverá ser
deslocado para a ordem do dia da terça-feira da próxima semana, no último dia
de votações antes do recesso
O que está na pauta
Principais projetos que devem ir à votação nesta
terça-feira:
Reajustes salariais -
propostas concedem reajuste salarial de 5,35% a servidores do Tribunal de
Justiça, Tribunal de Justiça Militar, Ministério Público, Defensoria Pública,
Tribunal de Contas do Estado e Assembleia Legislativa. Textos beneficiam
ativos, aposentados, pensionistas e detentores de funções gratificadas (FGs).
Na Assembleia, cargos comissionados (CCs) também foram incluídos. Acréscimo não
se aplica a membros (como juízes, promotores e defensores públicos).
Doações a municípios -
projetos autorizam doações de terrenos e trechos rodoviários do Estado para
prefeituras. Terrenos em Guaíba e Montenegro serão utilizados, respectivamente,
para a instalação de complexo aeronáutico e centro tecnológicos. Trechos
de estradas passarão para responsabilidade dos municípios.
Financiamentos internacionais -
autorizações para que o governo estadual contrate duas operações de crédito em
bancos internacionais, uma de R$ 2,1 bilhões e outra de US$ 360 milhões, para a
quitação de precatórios e outras dívidas
Capital social -
projetos ampliam participação do governo no capital social da Ceasa e do
Badesul. Previsão é de aporte de R$ 100 milhões ao Badesul, para alavancar
operações de crédito, e de R$ 11,2 milhões na Ceasa, para ajudar na recuperação
dos danos da enchente.
Transação tributária -
proposta do deputado Marcus Vinícius (PP) cria um programa de transação
tributária para a renegociação de dívidas com o Estado, com descontos de
até 70%. Auditores da Fazenda reclamam que texto permite invasão de atribuições
pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE). Emenda deverá deixar responsabilidade
pelos acordos para as duas categorias, com definição por parte do governo na
regulamentação da norma.