Publicado em 24/06/2022 às 14:00

Qualidades da linguagem

Há pelo menos nove qualidades da boa linguagem falada e escrita. São: clareza, concisão, precisão, correção, naturalidade, originalidade, nobreza, harmonia e colorido ou elegância. Falas e escritas com essas qualidades são, além do mais, cartão de visita.

Clareza, rainha das qualidades, reflete a limpidez do pensamento e facilita-lhe a pronta e clara recepção. Inimigas da clareza: ambiguidade e obscuridade. Concisão diz muito em pouco, ou seja, diz muito em poucas palavras. Evita digressões e outros desvios. Inimiga da concisão: prolixidade. Precisão é escolha e uso de palavras certas, exatas nos sentidos, e postas nos lugares exatos das frases. Inimiga da precisão: obscuridade. Correção é obediência às regras gerais da gramática. Inimigos da correção: todos os dezesseis vícios de linguagem vistos nas três falas anteriores aqui apresentadas.

Naturalidade é o uso de palavras e expressões simples, espontâneas, naturais. Inimigo da naturalidade: tudo o que denota artificialismo, afetação, complicação, esnobismo. Originalidade é qualidade inata de quem fala e de quem escreve, aprimorada, é claro, pelos constantes estudos, leituras e práticas de quem fala e de quem escreve. Inimigos da originalidade: imitação servil, estilo postiço, plágio, vulgaridade. Nobreza é virtude de linguagem que mantém o falante e o escrevente no campo da linguagem nobre, elevada, longe de toda linguagem nada nobre e recomendável. Inimigos da nobreza de linguagem: pretenso realismo, termos chulos e torpes, obscenidades, falta de pudor e decoro...

Entre as qualidades da boa linguagem está, também, a harmonia. Esta qualidade funciona como que um elemento musical da frase. O segredo dela está na escolha certa da palavra e da expressão e na colocação certa na frase. Tal segredo põe na frase ritmo, equilíbrio, musicalidade, harmonia. E colorido e elegância? Sim, são qualidades primas-irmãs que dão à frase e ao parágrafo, enfim, ao texto e à obra inteira, o acabamento ideal e o toque da perfeição. Fontes desse colorido e dessa elegância? Entre outras, estas: uso criterioso das figuras, ornatos harmônicos de estilo, imaginação fértil e brilhante, amplo e profundo saber gramatical e perfeito domínio da técnica literária.

Assim, observa-se com essas nove qualidades do bem falar e do bem escrever que a linguagem falada e escrita deve estar de acordo com a norma culta que, no fundo, obedece aos princípios estabelecidos pela gramática oficial, em termos denotativos, reais, e pela estilística, em termos conotativos, figurados. O bem pensar também está na base do bem falar e do bem escrever. Sim, aprendendo-se a bem pensar, aprende-se a bem falar e a bem escrever.



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