domingo, 26 de maio de 2024
Publicado em 15/01/2022 às 14:00

Um governo coerente

Alceu Van der Sand 

O estado do Rio Grande do Sul vive uma de suas mais severas estiagens das últimas décadas.  

No dia 12 de janeiro de 2022, a ministra da agricultura, o governador em exercício e seus respectivos séquitos, estiveram na região das missões, mais especificamente em Santo Ângelo, para verificar a situação e os prejuízos causados pela estiagem. Sim, vieram para se certificar. Chama a atenção o fato de que o ministério da agricultura, e a secretaria da agricultura contam com diversos mecanismos de monitoramento da situação produtiva das distintas regiões do país. Não precisaria ter vindo. Oi pelo menos já trazer alguma proposta de solução. Os dados demonstram a situação. Mas sabemos, o ato político tem sua importância e ritual.  

 Ao que se lê e ouve pela imprensa, é que que nem a ministra, nem o governador apresentaram medidas concretas para socorrer os produtores atingidos. Por isso, é legitimo afirmar, governo coerente.  

 Qual foi a proposta com que se elegeram tanto Eduardo Leite como Bolsonaro? Foram eleitos com o discurso de que o Estado não deve se meter na economia. A grande parte de seus eleitores alegremente repetia o mantra: se o governo não atrapalhar, já é uma grande coisa. O discurso do Estado mínimo foi o discurso vencedor. E mais, nas últimas eleições, a maioria absoluta dos prefeitos eleitos na região atingida, comungou deste ideário. Portanto, o propósito da visita à região foi de cunho estritamente político. Inclusive, no dia anterior, em Chapecó, a senhora ministra sugeriu aos agricultores que rezassem para chover.  

 Agora deveria ser o momento de dizer aos produtores: - Olha meu amigo, a tua atividade é uma atividade de risco, infelizmente a seca vai colher toda a tua safra e você precisa se virar. O governo não tem nada a ver com isso. O governo não deve se meter na economia.  

 De concreto é isso que a ministra, o governador e grande parte dos prefeitos deveriam dizer. Mas a hipocrisia e a pobreza ideológica não permitem.  

 Mas de uma coisa podemos estar seguros.  Não se fará nada do ponto de vista emergencial. Os governos serão coerentes ao ideário. Em um segundo momento, talvez proponham algum tipo de anistia aos grandes devedores. Afinal, os pequenos produtores, a essa altura, já terão desaparecido.  

 Portanto, o governo veio fazer uma visita e se compadecer, nada mais do que isso. Irá manter a coerência. Por mais que me doa, por desumano que seja, desconfio que manterão a palavra. Serão coerentes com suas convicções liberais.   

São as opções que a sociedade faz. Mais Estado ou menos Estado. O Brasil e o Rio Grande do Sul optaram pelo Estado mínimo.  Portanto, voto tem consequência.



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